A diferença entre o 13º que rende e o 13º que evapora não está no valor recebido. Está na data em que ele foi decidido. Quem escolhe o destino em agosto decide com a cabeça fria, olhando para a própria vida financeira com calma. Quem decide em dezembro decide dentro de uma vitrine. Tem promoção, tem fim de ano, tem todo um clima que convida a gastar. São duas decisões muito diferentes, tomadas pela mesma pessoa em estados de espírito opostos.
Uma forma simples de organizar é separar o valor em partes com nome. A primeira parte vai para a dívida cara, se houver, porque não existe aplicação que renda mais do que o custo do rotativo do cartão ou do cheque especial. A segunda parte vai para a reserva de emergência, que é o que impede a próxima surpresa de virar dívida nova. A terceira parte pode virar uma contribuição extraordinária ao seu plano de previdência complementar fechada, transformando um dinheiro pontual em benefício futuro. E a quarta parte, sem culpa nenhuma, fica para as despesas e os prazeres do fim de ano, que também precisam de orçamento para não virarem fatura em fevereiro.
Os percentuais dessa divisão são seus. O que importa é que existam antes de o dinheiro cair. Escrever "metade para a dívida, um quarto para o plano, um quarto para o Natal" em agosto é o que vai permitir que você não precise decidir nada em dezembro, quando decidir custa mais caro.
Vale um lembrete sobre a primeira parcela, que costuma ser paga até o fim de novembro. Ela cai antes da temporada de compras. É a mais vulnerável de todas. Se você já tiver combinado com você mesmo o que fazer com ela, ela cumpre um papel. Se não, some. Você entra em dezembro contando com a segunda parcela para tudo, inclusive para os impostos que chegam logo depois da virada.
E aqui entra o cálculo que quase ninguém faz. IPVA, IPTU, licenciamento, matrícula e material escolar caem todos entre janeiro e março. Se uma fatia do 13º ficar reservada para eles, o começo do ano deixa de ser aquela ladeira que consome o fôlego que sobrou das festas. É o mesmo dinheiro. Só que colocado no lugar certo, com quatro meses de antecedência.
O ganho maior nem é financeiro. Chegar em dezembro sabendo que cada parte do 13º já tem endereço muda a qualidade do mês. Você aproveita as festas sem aquela voz de fundo perguntando quanto tudo aquilo vai custar em janeiro, porque a resposta já está resolvida desde agosto.
Faça a sua parte hoje, e ela cabe em uma frase escrita no papel. Decida agora um destino para pelo menos metade do seu 13º, com nome e valor, e guarde esse papel onde você vá reencontrá-lo em novembro. É um combinado com a sua versão do fim do ano, e ela vai agradecer.